Cuidador/a

“Na saúde e na doença, até que a morte nos separe”, foi a nossa promessa em 2015, ano do nosso casamento. Nessa altura sabíamos da doença mas não sabíamos que dois anos depois os rins deixariam de funcionar e que tudo mudaria. 

Ser cuidador é um dos papéis fundamentais que a Catarina tem na minha vida. Ser cuidador é estar presente, compreender, respeitar e amar. Eu só tenho a agradecer à Catarina por estar sempre ao meu lado nesta exigente função. 

E desse lado quantos cuidadores andam por aí? E quais as vossas dificuldades?

No blog deixei um espaço para escrever sobre – ser cuidador/a.

Desde o primeiro dia que nem os tratamentos nem a doença foram problema entre nós. O facto de passar a fazer parte das nossas rotinas, tornaram-nos parte do nosso ADN enquanto casal, não sendo questionável nem de forma alguma alterável. Claro que numa primeira fase é difícil gerir tudo o que está a acontecer, sobretudo individualmente, mas não enquanto casal. (Leiam aqui os quatro passos que dei para ter superado esta nova vida). Sempre fiz questão de falar abertamente sobre o que sentia e do que a hemodiálise implicava no meu corpo e na minha forma de estar. A Catarina ouviu-me e passou a compreender tão bem quanto eu as necessidades de um doente. A diferença está nos olhos de quem a vê. Nada mudou. O suporte da Catarina nunca falhou, mesmo nos dias em que me senti realmente cansado ou irritado. Assim como todos temos de ser tolerantes numa relação, aqui, enquanto cuidadora, é isto que acontece. É muito importante também perceber que o(a) cuidador(a) é também vulnerável, sendo um humano que precisa do seu tempo próprio. Quero com isto dizer que se saio para a diálise, e demoro pelo menos 5h a voltar, a Catarina tem tempo para várias coisas: ir ao centro comercial, ir ao parque com o Gui ou até mesmo sair para ter tempo só para ela. 

Temos uma forma de estar muito parecida e acabámos por nos adaptar facilmente um ao outro. Sei que poderei sempre contar com ela e é graças a ela e ao Guilherme que o esforço que faço para sair para os tratamentos acaba por pesar menos. Não há nada como voltar para casa e saber que ganhámos mais um dia juntos. Nem que nessa mesma tarde a Catarina tenha de assumir o papel de mãe e de pai do Guilherme ou que tenha que fazer um esforço maior nas rotinas de casa. No dia seguinte acabo por compensar e, deste modo, vamos gerindo o dia-a-dia. Para nós a hemodiálise nunca foi um peso e, talvez graças a isso, nunca me tenha faltado a coragem para continuar dia após dia. 

Catarina: “Confesso que o Filipe também ajudou muito neste processo. A sua força e resiliência mostraram-me que um doente pode ter uma vida quase normal e, quando ambos compreendemos a nova rotina, entrámos numa simbiose perfeita. Ser cuidador é dar a mão e o abraço que o doente precisa quando chega a casa. Se há dias que são mais difíceis? Sim, temos, como qualquer outra pessoa. O que difere é a vontade de viver o presente ao máximo, valorizando as pequenas coisas como o abraço apertado todas as noites que não são noites de hemodiálise.”

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One thought on “Cuidador/a

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